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sexta-feira, 18 de abril de 2014

1964: há 50 anos, o mundo conheceu o XV de Piracicaba



O final da década de 50 e início da década de 60 marcavam o início do domínio Brasileiro no Futebol Mundial. A Seleção Brasileira conseguiu o bicampeonato mundial nos anos de 1958 e 1962, com o brilho do Rei do Futebol: Pelé. Ao mesmo tempo, o Santos, também conduzido pelo Rei Pelé, conseguia o bicampeonato da Copa Intercontinental, em 1962 e 1963, reforçando a hegemonia do futebol brasileiro no cenário mundial.

Aproveitando-se do bom momento do Futebol Brasileiro, o XV de Piracicaba, então comandado pelo Presidente Romeu Ítalo Rípoli, preparou sua primeira excursão pelo mundo. Passando por sete diferentes países, o alvinegro Piracicabano representou o Brasil pelo mundo (Bolívia, União Soviética, Polônia, Dinamarca, Alemanha Oriental, Alemanha Ocidental e Suécia).

A PRIMEIRA PARADA: BOLÍVIA


O início oficial da saga internacional do XV de Piracicaba no ano de 1964 aconteceu em 26 de janeiro, quando foi formada a delegação alvinegra composta pelos seguintes jogadores: Nino, Orlando, Jeco, Cardinali, Dema, Maneca, Dorival, Valter, Ladeira, Varner, Rafael, Chiquinho, Biguá, Valdir e Kiki. Além dos jogadores, a delegação contava com Dr. José Eduardo Mello Ayres (Médico), Romeu Ítalo Ripoli, Benedito Rebelo e Salim Kraide (Diretores), Sebastião Ferraz (Jornalista) e o treinador Manoel Bortoli, o Mané.


FOTO: Presidente Rípoli em vista ao Presidente da Bolívia, Victor Paz Estenssoro, entregando-lhe uma bola autografada pelos atletas do XV de Piracicaba.

A ESTREIA - O XV de Piracicaba chegou na cidade de La Paz no dia 02 de fevereiro de 1964. Já no primeiro dia, o alvinegro entrou em campo para enfrentar a equipe do Bolívar. Apesar do desgaste da viagem, o alvinegro conseguiu segurar o empate em 2 x 2 com a equipe da casa. Os dois tentos do alvinegro foram marcados por Ladeira.

A VITÓRIA - Três dias depois da chegada, o XV de Piracicaba voltou a campo para enfrentar o mesmo Bolívar. Novamente jogando na altitude de 3.600 metros, o alvinegro enfrentou a equipe da casa no Estádio Hermano Siles, sob o olhar de 25.000 espectadores. Com boa atuação, apesar de sair atrás do placar, o alvinegro não deu chances para a equipe da casa, vencendo a partida por 3 x 1, gols de Valdir, Varner e Ladeira.

DESPEDIDA CONFUSA - Para encerrar sua passagem pela Bolívia, o XV de Piracicaba viajou mais de 400 Km até cidade de Cochabamba, para enfrentar o Aurora F.C. A partida ficou marcada pela péssima arbitragem favorável à equipe da casa. O XV sofreu um gol logo no primeiro minuto da partida, tendo que buscar o empate durante toda a partida. No entanto, as intenções do alvinegro foram prejudicadas pela expulsão de Jeco, e, posteriormente, pelo encerramento da partida 13 minutos antes do encerramento do tempo regulamentar, sem qualquer explicação por parte da arbitragem.

SEGUNDA PARTE DO TOUR PELO MUNDO: EUROPA E ÁSIA

O dia 15 de abril de 1964 marcou o início da aventura alvinegra fora do continente sul americano. Novamente sob o comando do Presidente Romeu Ítalo Rípoli, foi formada a delegação que representaria o alvinegro em mais uma jornada, formada pelos seguintes jogadores: Nino, Orlando, Orlando Maia, Cardinali, Dorival, Bastos, Kiki, Dema, Biguá, Valter, Neguito, Maneca, Varner, Nilo, Rafael, Valdir, Varley e Ladeira. Além dos jogadores, a comitiva piracicabana contava com treinador Mané (Manoel Bortolli), Francisco Abdalla, Isael Perina e Thomaz Caetano Rípoli (Diretores) e do massagista Osvaldinho.

Fato curioso foi a "quase viagem" do goleiro Hélio Saconni. Segundo as memórias do ex-goleiro Hélio, Nino não queria fazer parte do grupo que iria até a Europa. Tal fato fez com que Hélio fosse relacionado para a viagem e realizasse toda a preparação burocrática para a viagem. No entanto, Nino mudou de ideia e aceitou viajar no último momento, deixando o jovem Hélio Saconni de fora da delegação.

FOTO: O jovem Hélio ficou de fora da viagem nos últimos momentos.

ROMPENDO A CORTINA DE FERRO: XV NA UNIÃO SOVIÉTICA


Após sair de Campinas/SP e realizar escalas em Portugal e na França, o XV de Piracicaba finalmente chegou até a "gelada" União Soviética.

FOTO: O elenco do XV desembarcou na União Soviética em 14 de abril e foi recebido, logo no desembarque, com flores.

PRIMERA PARTIDA: A estreia do XV na União Soviética foi realizada na cidade de Tashkent, atualmente Capital e maior cidade da República do Uzbequistão. A partida foi realizada no dia 19 de abril de 1964, contra Pakhtakov e, além dos jogadores adversários, os atletas do XV enfrentaram outro adversário: o frio de 2 graus. Apesar do frio, a equipe do XV foi valente, mas saiu derrotada pela contagem mínima: 1 x 0.

SEGUNDA PARADA: KAIRAT: Após a primeira derrota, no dia 21 de abril, o XV viajou até a cidade de Alma Ata, atualmente Capital e maior cidade da República do Cazaquistão. O alvinegro enfrentou a equipe local, o FC Kairat Almaty. Apesar do gol de Valter, o XV não resistiu e somou mais uma derrota, agora pelo placar de 3 x 1.

O GRANDE DESAFIO: SELEÇÃO SOVIÉTICA: A terceira partida do XV pode ser considerada um dos maiores desafios do alvinegro em solos estrangeiros. A Seleção Soviética, atual campeã da Eurocopa (1960) e quarta colocada na Copa do Mundo de 1966. Sem dúvida, o maior destaque da equipe Soviética era o "aranha negra", o goleiro Lev Yashin, único goleiro vencedor da Bola de Ouro, eleito melhor jogador da Europa em 1963. 
Apesar da suposta grande diferença de qualidade entre as equipes, o XV de Piracicaba não esmoreceu diante da poderosa equipe Soviética. A equipe de Piracicaba fez uma boa atuação na cidade de Moscou e saiu derrotada pelo placar de 2 x 0.

MAIS UMA SELEÇÃO: MOLDÁVIA: Apesar de boas atuações, o XV de Piracicaba ainda sentia dificuldades para obter o primeiro resultado positivo em solo Soviético. No dia 26 de abril, jogando na cidade de Kichinev, atual capital da Moldávia, o XV foi derrotado pela seleção da casa pelo placar de 4 x 2. Os gols do XV foram marcados por Valter e Varley.

PRÓXIMA PARADA: KRASNODAR: Após somar sua quarta derrota, o XV de Piracicaba viajou até a cidade de Krasnodar, localizada na Rússia. No dia 29 de abril de 1964, o gol de Varner não foi suficiente para o alvinegro, que sofreu 3 gols da equipe do Spartack, e perdeu a partida pelo placar de 3 x 1.

UCRÂNIA: O PRIMEIRO PONTO: O dia 02 de maio de 1964 marcou a quinta e última partida do XV realizada em solo Soviético e representou o primeiro ponto somado pelo alvinegro em sua jornada. Na cidade de Odesa, localizada na Ucrânia, o alvinegro conseguiu segurar a força do Tchernomoretz e manteve o placar em 0 x 0.

PRÓXIMA PARADA: POLÔNIA

Após depedir-se da União Soviética com apenas 1 empate no bagagem, o XV de Piracicaba ingressou em solo Polonês decidido a não sair derrotado.

SELEÇÃO DA POLÔNIA: As duas primeiras partidas do alvinegro na Polônia foram realizado contra a boa seleção da polônia, que anos depois conseguiria a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1972, então comandada pelo artilheiro Lubanski. Mostrando sua força, o XV entrou em campo no dia 05 de maio na cidade de Katovich e conseguiu igualar forças com a equipe da casa e obteve o empate por 1 x 1. O gol do XV foi marcado por Varner.
Dois dias depois (07 de maio) o XV voltou a campo e obteve mais um empate contra a Seleção Polonesa. Em partida realziada na cidade de Bydgoszcz, o XV segurou o placar e saiu de campo sem abertura de placar.

SELEÇÃO DA POMERÂNIA: A passagem pelo XV pela Polônia ainda contou com a partida realizada em 09 de maio de 1964, na cidade de Stettin (Szczecin), contra a Seleção do Estado da Pomerânia. Assim como na última partida, o XV saiu de campo sem abertura de contagem, mantendo-se invicto em sua passagem pelo território Polonês.

NA DINAMARCA, APENAS UMA PARTIDA


Após a passagem invicta pela Polônia, o XV de Piracicaba partiuem viagem aérea rumo à cidade de Copenhaguen, capital da Dinamarca. No dia 12 de maio, o XV entrou em campo para enfrentar o forte combinado Danish-Staevenet. Após ter um gol anulado, fato que gerou muita confusão, o alvinegro perdeu por 2 x 0, e teve sua série quebrada.


FOTO: Dema e Kiki cerca o jogador dinamarquês do combinado Danish-Staevenet.

ALEMANHA ORIENTAL: CAMPEÕES PELA FRENTE


DERROTA NA CHEGADA: Deixando a Dinamarca, o XV rumou para a cidade Leipzig, na Alemanha Oriental. O primeiro desafio em solo alemão, no dia 14, foi a equipe do B.S Chemie e terminou com derrota do alvinegro pelo placar de 4 x 1. O gol do XV foi marcado por Varner. A força do B.S. Chemie  foi comprovada no ano de 1964, quando o clube conquistou o título da liga local.

SURPRESA ALVINEGRA: Apesar da derrota na primeira partida disputada na Alemanha Oriental, o XV de Piracicaba mostrou sua força na sequência. Após realizar uma longa viagem de trem entre as cidades de Leipzig e Berlim (15 horas), o alvinegro entrou em campo no dia 17 de maio. O adversário da vez era o temido Motor Jena, campeão da liga local em 1963. Contando, com gols de Rafael e Valdir, logo na primeira etapa, o XV conseguiu segurar o impeto da equipe local, que descontou com Peter Duc, dando números finais à partida: 2 x 1.

DESPEDIDA COM DERROTA: Apesar da convincente vitória sobre o atual campeão alemão oriental, o XV de Piracicaba não conseguiu repetir o bom desempenho na última partida de sua passagem pelo lado oriental do país. Na pequena cidade de AUE, após mais uma longa viagem de 10 horas, o XV entrou em campo contra a equipe local: o Wismuth. Apesar de mais um gol marcado pelo artilheiro Varner, o time alemão conseguiu vencer a defesa do alvinegro po 3 vezes, sacramento o placar de 3 x 1.

FOTO: Varner foi um dos grandes destaques do XV de Piracicaba durante o tour pela Europa.

DO OUTRO LADO DO MURO: ALEMANHA OCIDENTAL


ESTREIA CONTRA O KALSHURE: Jogando no Estádio Wildpark, no dia 23 de maio de 1964, o XV de Piracicaba continuou sua desgastante sequência de jogos contra o Kalshure. Encontrando dificuldades novamente, o alvinegro acabou derrotado pelo placar de 3 x 0, todos os gols marcados por Madl. Conforme noticiado pelo jornal "Estado de São Paulo", 20 mil pessoas acompanhar a partida no Wildpark.

DERROTA EM HANNOVER: Três dias após jogar em Kalshure, o XV foi até a cidade de Hannover para enfrentar a equipe local. Em sua décima quarta partida no tour iniciado na União Soviética, o XV foi novamente derrotado, agora pelo placar de 2 x 0.

VITÓRIA IMPORTANTE EM MUNIQUE: Já no dia 29 de maio, o XV de Piracicaba realizou sua despedida da Alemanha Ocidental na cidade de Munique. O adversário da vez foi a boa equipe do Munchen 1860. A equipe, uma das mais antigas da Alemanha, vice-campeão da temporada 1962-1963, mesmo contando com uma torcida de 10 mil pessoas, não foi párea para o alvinegro. Com gols do artilheiro Varner, aos 21 do segundo tempo, e de Nilo, aos 35, o XV conseguiu sua vitória do lado ocidental da Alemanha.

ENCERRANDO O TOUR: INVENCIBILIDADE NA SUÉCIA


EMPATE EM 5 GOLS: A primeira partida do XV de Piracicaba em solo sueco aconteceu no dia 2 de junho de 1964. No Estádio Stoenvallens, o alvinegro mediu forças com o Gaevle I.F. Apesar de jogar reforçado com jogadores de outras equipes locais, e contar com o forte frio de 5 graus, o Gaevle não conseguiu superar o time brasileiro. Após o primeiro tempo terminar empatado em 2 x 2, o segundo tempo de 6 gols sacramentou o empate em 5 x 5.

A MAIOR GOLEADA DA VIAGEM: No dia 4 de junho, quinta-feira, o Nhô-Quim impôs a maior goleada de sua passagem internacional no ano de 1964. Enfrentando o time do I.K.F., na cidade de Ostersund, o alvinegro abriu 6 x 1 na primeira etapa e fechou a partida com o elástico placar de 8 x 2.

SEGUNDA VITÓRIA NA SUÉCIA: Com a viagem internacional quase chegando ao seu final, o XV de Piracicaba obteve mais uma importante vitória na Suécia. Jogando contra a Seleção do Norte, no dia 07 de junho, o XVzão marcou 4 x 1 na seleção da casa, mantendo o bom desempenho no país nórdico.

DESPEDIDA COM VITÓRIA: Encerrando a extensa e desgansante viagem pelo continuente Europeu, o alvinegro obteve mais um grande resulado. Na cidade de Harvick, o XV mediu forças com o Garker e aplicou mais uma sonora goleada: 5 x 0.

Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelo alvinegro piracicabano durante sua viagem, o acontecimento ficou marcado para sempre na história centenária do XV de Piracicaba. O fato inédito de romper a cortina de ferro, antes de qualquer outra equipe do futebol brasileiro, é mais uma dos marcantes acontecimentos do clube mais tradicional do interior de São Paulo!

INFORMAÇÕES E FOTOS:
"A História do XV: Parte II" - Delphim F. Rocha Netto.
"100 anos: Destemido e Valente", Capítulo IV - Rafael Bitencourt

segunda-feira, 24 de março de 2014

A Taça dos Invictos



A HISTÓRIA DA TAÇA - A "Taça dos Invictos" foi idealizada com base na campanha do Palestra Itália de 1932, tendo em vista a série de 27 jogos sem derrotas para times de São Paulo e e do Rio de Janeiro, sendo 22 delas no Campeonato Paulista. Após 7 anos, o Jornal Gazeta Esportiva decidiu criar a disputa, premiando a equipe que permanecesse por mais tempo sem derrotas. O regulamento previa a posse transitória da taça, desde que uma equipe superasse a série invcta da atual detentora. A posse definitiva ocorreria apenas quando uma das equipes conseguisse pela segunda vez a posse da taça.
A primeira equipe a obter êxito em duas oportunidades e receber a posse definitiva da taça foi o Corinthians, que conseguiu 25 partidas de invencibilidade no ano de 1956 e 26 partidas no ano de 1957.

ATUAL DETENTOR - O atual detentor da Taça dos Invictos do Futebol Paulista, que se encontra em sua 8ª edição, é o Corinthians. A série de 28 jogos de invencibilidade foi atingida entre 22 de janeiro de 2009 e 3 de fevereiro de 2010.

TAÇA DOS INVICTOS DO INTERIOR - A primeira equipe a receber a Taça dos Invictos do Interior foi o Botafogo de Ribeirão Preto, após permanecer 19 jogos invictos no ano de 1956. Na sequência, entre os anos de 1956 e 1957, o Taquaritinga conseguiu superar a série do Botafogo e permaneceu 20 partidas sem conhecer uma derrota, tirando a taça de Ribeirão Preto. Apenas após 10 anos de posse da Taça pelo Taquaritinga, o Paulista F.C., de Jundiaí, foi o clube que conseguiu, com 21 jogos de invencibilidade, receber a Taça de Posse Transitória.

FOTO: A desejada Taça dos Invictos encontra-se na sede no Estádio Barão da Serra Negra até os dias atuais.

A CONQUISTA ALVINEGRA - O ano de 1967 foi muito especial para o XV de Piracicaba. Além de conseguir retornar para a elite do Futebol Paulista, em uma inesquecível campanha na Divisão de Acesso, o alvinegro piracicabano conseguiu conquistar a Taça dos Invictos do Interior, que até o presente momento se encontrava na cidade de Jundiaí, com o Paulista F.C.

A Série Invicta do XV teve início no dia 21 de maio de 1967, com a estreia do Nhô-Quim no Campeoanto de Acesso daquele ano. O primeiro resultado foi a convincente vitória sobre a Internacional de Limeira, na cidade vizinha, pelo placar de 3 x 0, com gols marcados por Picolé (2 vezes) e Luiz Trombada.

FOTO: Equipe do XV na estreia do Campeonato de Acesso de 1967.
EM PÉ: Mello Ayres, Protti, Nelson, Hidalgo, Piloto, Neves e Claudinei;
AGACHADOS: Índio (Massagista), Zezinho, Luiz Trombada, Picolé, Joaquinzinho e Piau.

O recorde anterior, de 21 jogos, foi atingido no dia 17 de setembro de 1964, com a vitória sobre a Esportiva de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba. A partida marcou a despedida do treinador Alfredinho, que deixou o XV para dirigir o Guarani.

A conquista da Taça dos Invictos não poderia ter adversário melhor: a Ponte Preta. A equipe de Campinas, dirigida por Cilinho, contava com um dos grandes nomes da história do Futebol do Interior, o "mestre" Dicá. A partida que marcou a conquista aconteceu no dia 24 de setembro de 1967, na estreia de Armando Renganeschi, data em que o XV recebeu a Ponte Preta no Barão de Serra Negra. Após um jogo disputado, o alvinegro venceu a macaca de Campinas pelo placar de 1 x 0, gol marcado por Luiz, e pode comemorar, enfim, a conquista da Taça dos Invictos.

FOTO: O grande ataque do XV de Piracicaba, na partida em que o XV venceu o Taubaté por 5 x 0, formado por Nicanor, Luiz Trombada, Mazinho, Joaquinzinho e Varner.

A série invencível do XV não parou na partida contra a Ponte Preta, mas estendeu-se até o dia 22 de outubro, quando o alvinegro foi derrubado pela equipe do Paulista, pelo placar de 4 x 2. Entre a conquista da taça e a perda da invencibilidade, o XV conseguiu mais três partidas sem derrotas, somando 25 partidas de invencibilidade. Com a incrível série, o XV de Piracicaba recebeu a posse definitiva da Taça dos Invictos, oferecida pelo jornal Gazeta Esportiva.

FOTO: O médico Mello Ayres, ostentando a Taça dos Invictos, ao lado do Presidente Humberto D'Abronzo.

FICHA TÉCNICA:
DATA: 24 de setembr de 1967.
LOCAL: Estádio Barão da Serra Negra, Piracicaba/SP.
GOL: Luiz Trombada.
XV DE PIRACICABA: Claudinei; Nei, Haroldo, Protti e Neves; Hidalgo e Varner; Amauri, Luiz, Picolé e Piau. Técnico: Armando Renganeschi.
PONTE PRETA: Wilson; Nelson, Samuel, Luizinho e Spana; Sérgio e Capeloza; Segindo, Luiz César, Dicá e Adílson. Técnico: Cilinho.

JOGOS DE INVENCIBILIDADE:
JOGO 01 - 21/05/1967 - A.A. Internacional 0 x 3 XV de Piracicaba
JOGO 02 - 25/05/1967 - XV de Piracicaba 2 x 0 Estrada Sorocabana
JOGO 03 - 28/05/1967 - Jabaquara A.C. 0 x 3 XV de Piracicaba
JOGO 04 - 04/06/1967 - XV de Piracicaba 7 x 0 Saad E.C. (São Bernardo do Campo)
JOGO 05 - 11/06/1967 - São Carlos 0 x 2 XV de Piracicaba
JOGO 06 - 18/06/1967 - XV de Piracicaba 5 x 0 A. Esportiva (Guaratinguetá)
JOGO 07 - 25/06/1967 - Ponte Preta 0 x 0 XV de Piracicaba
JOGO 08 - 29/06/1967 - XV de Piracicaba 5 x 0 A.E. São José
JOGO 09 - 02/07/1967 - XV de Jaú 1 x 2 XV de Piracicaba
JOGO 10 - 09/07/1967 - XV de Piracicaba 1 x 0 Ferroviária (Botucatu)
JOGO 11 - 16/07/1967 - XV de Piracicaba 1 x 1 Paulista F.C.
JOGO 12 - 23/07/1967 - Palmeiras (S.J. Boa Vista) 2 x 4 XV de Piracicaba
JOGO 13 - 29/07/1967 - XV de Piracicaba 5 x 0 Taubaté E.C.
JOGO 14 - 06/08/1967 - Bragantino 1 x 1 XV de Piracicaba
JOGO 15 - 13/08/1967 - Nacional A.C. 1 x 1 XV de Piracicaba
JOGO 16 - 21/08/1967 - XV de Piracicaba 3 x 1 A.A. Internacional
JOGO 17 - 26/08/1967 - Estrada Sorocabana 0 x 1 XV de Piracicaba
JOGO 18 - 03/09/1967 - XV de Piracicaba 1 x 0 Jabaquara A.C.
JOGO 19 - 07/09/1967 - Saad E.C. 1 x 3 XV de Piracicaba
JOGO 20 - 10/09/1967 - XV de Piracicaba 2 x 0 São Carlos
JOGO 21 - 17/09/1967 - A. Esportiva (Guaratinguetá) 0 x 1 XV de Piracicaba
JOGO 22 - 24/09/1967 - XV de Piracicaba 1 x 0 Ponte Preta
JOGO 23 - 01/10/1967 - E.C. São José 0 x 0 XV de Piracicaba
JOGO 24 - 08/10/1967 - XV de Piracicaba 3 x 0 XV de Jaú
JOGO 25 - 15/10/1967 - Ferroviária (Botucatu) 1 x 1 XV de Piracicaba

FOTOS E INFORMAÇÕES: "A História do XV - Parte II", Delphim F. Rocha Netto.

BLOG HISTÓRIAS DO XV

sábado, 22 de março de 2014

Jogos para a História: A batalha de Palma Travassos



O ano de 2014 coloca, mais uma vez, frente a frente, duas equipes velhas conhecidas do interior paulista. No entanto, apenas nos últimos quatro anos é que o jogo entre XV de Piracicaba e Comercial de Ribeirão Preto passou a ser encarado de uma maneira diferente, como um verdadeiro clássico do interior. A acirrada rivalidade entre as equipes e suas torcidas chegou ao nível máximo no dia 08 de maio de 2010, na partida que ficou conhecida como "A Batalha de Palma Travassos".

Após o acesso do XV de Piracicaba no ano de 2010, com o duelo final entre as equipes, a rivalidade foi rescendida no ano de 2012, quando o XV de Piracicaba foi o responsável por decretar a queda da equipe de Ribeirão Preto para a Série A2 do Campeonato Paulista, após vencer a partida por 2 x 1.

A SÉRIE A3 DE 2010

O ano de 2010 ficará para sempre marcado na memória do torcedor do XV de Piracicaba. Após permanecer alguns anos sofrendo com as dificuldades impostas pela Terceira Divisão do Futebol Paulista, o alvinegro piracicabano conseguiu ressurgir no cenário esportivo estadual com a boa campanha na Série A3, coroada com o acesso para a Série A2 do ano seguinte.

Após um início de temporada pífio, sob o comando do treinador Nei Silva, o XV de Piracicaba contou com a força do "novato" Moisés Egert para reagir no Campeonato e colocar o Nhô-Quim entre as 8 melhores equipes da primeira fase, conseguindo a classificação para disputa do acesso.

Disputando a fase final da competição no Grupo 3, ao lado de Comercial, Ferroviária e XV de Jaú, o XV de Piracicaba chegou à última rodada com 8 pontos, dependendo apenas de suas forças para conquistar o tão sonhado acesso. Para tanto, bastava ao alvinegro segurar um empate contra o Comercial, que jogaria em seu território, no Estádio Palma Travassos.

A BATALHA

O termo "Batalha", pelo qual ficou conhecida a partida decisiva, não deve ser considerado como exagero dos apaixonados de plantão. Além da importância que a disputa teria dentro de campo, o clima hostil encontrado por torcedores, jogadores, dirigentes e jornalistas da cidade de Piracicaba fez com que o jogo ganhasse contornos de uma verdadeira guerra.

Logo na chegada dos jornalistas da Piracicaba, que cobririam a partida, o veículo da Rádio Onda Livre AM foi covardemente atacado por torcedores do "Bafo". A violência também foi utilizada pela torcida da equipe de Ribeirão Preto contra os Dirigentes do XV de Piracicaba. Membros da Diretoria Executiva do alvinegro, dentre eles o Presidente Luís Beltrame, foram violentamente impedidos de se dirigirem até o camarote reservado no Estádio.


Deixando de lado os fatores extracampo, a partida foi marcada pela disputa por cada espaço no gramado. A única grande chance da primeira etapa foi do Comercial, em falta cobrada por Cenedesi, aos 29 minutos, que passou raspando a trave de Fernando Hilário. Já o segundo tempo, o Comercial passou a pressionar mais o XV, mas não conseguia levar perigo ao gol defendido por Fernando Hilário. A melhor chance do Bafo saiu com o meia Rafinha, que testou firme para grande defesa do goleiro alvinegro. O XV também teve suas chances, mas a principal delas saiu dos pés de Marlon, que não acertou o alvo.

No entanto, quando o relógio já marcava 44 minutos da segunda etapa, o lance que marcou a partida e o duelo entre os equipes aconteceu. Após cruzamento na área do alvinegro e grande confusão na área, o jogador do Comercial empurrou a bola para as redes, mas a partida já estava paralisada pela marcação de um impedimento, anotado pelo auxiliar Luis Alexandre Nilsen.

Imediatamente após a anotação da irregularidade, o descontrole tomou os jogadores do Comercial, que partiram para a agressão contra a equipe de arbitragem. A atitude dos jogadores do Bafo, contagiou a torcida, que tentou de todas as formas invadir o gramado para invadir o gramado de jogo. A confusão durou cerca de 10 minutos, até que os ânimos dos atletas fossem parcialmente acalmados para o reinício da partida.

FOTO: Imagens da confusão causada pelos jogadores do Comercial após a anulação do gol.

O recomeço da partida teve apenas mais alguns minutos, os quais pareciam uma eternidade para a torcida alvinegra de Piracicaba. No entanto, após os minutos finais de agonia, o árbitro Rodrigo Guarizo encerrou a partida, determinando o acesso do XV de Piracicaba para a Série A2 do Campeonato Paulista. O apito final foi o início da festa da torcida do XV, que permaneceu no Estádio comemorando o acesso, apesar das tentativas de agressão por parte dos torcedores do Bafo.

Ainda após o término da partida, os atos de selvageria por parte da torcida do Comercial não pararam. Quando os árbitros se dirigiam até os vestiários, foram covardemente agredidos por um torcedor e por um Diretor da equipe do Comercial. Na sequência, torcedores do Comercial arrombaram a porta do vestiário da arbitragem e subtraíram pertences do trio de arbitragem e jogaram fogos de artifício no local.

FOTO: Imagem veículada no Jornal de Piracicaba após o acesso na "Batalha" em Ribeirão Preto.

FICHA DO JOGO:
DATA: 08 de maio de 2010.
LOCAL: Estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto/SP.
ÁRBITRO: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral.
PÚBLICO: 1.557 pagantes. RENDA: R$ 15.020,00.

COMERCIAL - Gustavo; Rogerinho (Laerte), Alemão, Edson Batatais e Laerte (Jeferson); Cenedesi, Jordã, Belé e Carlos Eduardo; Rafinha e João Paulo Garcia. Técnico: André Oliveira.

XV DE PIRACICABA - Fernando Hilário; Fellipe Nunes, Marcus Vinícius, João Paulo e Ceará; Diego Silva (Carlão), Jordy Guerreiro, Marlon (Robinho) e Givanildo; Paulinho e Wesley (Lucas Biselli). Técnico: Moisés Egert.

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