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segunda-feira, 24 de março de 2014

A Taça dos Invictos



A HISTÓRIA DA TAÇA - A "Taça dos Invictos" foi idealizada com base na campanha do Palestra Itália de 1932, tendo em vista a série de 27 jogos sem derrotas para times de São Paulo e e do Rio de Janeiro, sendo 22 delas no Campeonato Paulista. Após 7 anos, o Jornal Gazeta Esportiva decidiu criar a disputa, premiando a equipe que permanecesse por mais tempo sem derrotas. O regulamento previa a posse transitória da taça, desde que uma equipe superasse a série invcta da atual detentora. A posse definitiva ocorreria apenas quando uma das equipes conseguisse pela segunda vez a posse da taça.
A primeira equipe a obter êxito em duas oportunidades e receber a posse definitiva da taça foi o Corinthians, que conseguiu 25 partidas de invencibilidade no ano de 1956 e 26 partidas no ano de 1957.

ATUAL DETENTOR - O atual detentor da Taça dos Invictos do Futebol Paulista, que se encontra em sua 8ª edição, é o Corinthians. A série de 28 jogos de invencibilidade foi atingida entre 22 de janeiro de 2009 e 3 de fevereiro de 2010.

TAÇA DOS INVICTOS DO INTERIOR - A primeira equipe a receber a Taça dos Invictos do Interior foi o Botafogo de Ribeirão Preto, após permanecer 19 jogos invictos no ano de 1956. Na sequência, entre os anos de 1956 e 1957, o Taquaritinga conseguiu superar a série do Botafogo e permaneceu 20 partidas sem conhecer uma derrota, tirando a taça de Ribeirão Preto. Apenas após 10 anos de posse da Taça pelo Taquaritinga, o Paulista F.C., de Jundiaí, foi o clube que conseguiu, com 21 jogos de invencibilidade, receber a Taça de Posse Transitória.

FOTO: A desejada Taça dos Invictos encontra-se na sede no Estádio Barão da Serra Negra até os dias atuais.

A CONQUISTA ALVINEGRA - O ano de 1967 foi muito especial para o XV de Piracicaba. Além de conseguir retornar para a elite do Futebol Paulista, em uma inesquecível campanha na Divisão de Acesso, o alvinegro piracicabano conseguiu conquistar a Taça dos Invictos do Interior, que até o presente momento se encontrava na cidade de Jundiaí, com o Paulista F.C.

A Série Invicta do XV teve início no dia 21 de maio de 1967, com a estreia do Nhô-Quim no Campeoanto de Acesso daquele ano. O primeiro resultado foi a convincente vitória sobre a Internacional de Limeira, na cidade vizinha, pelo placar de 3 x 0, com gols marcados por Picolé (2 vezes) e Luiz Trombada.

FOTO: Equipe do XV na estreia do Campeonato de Acesso de 1967.
EM PÉ: Mello Ayres, Protti, Nelson, Hidalgo, Piloto, Neves e Claudinei;
AGACHADOS: Índio (Massagista), Zezinho, Luiz Trombada, Picolé, Joaquinzinho e Piau.

O recorde anterior, de 21 jogos, foi atingido no dia 17 de setembro de 1964, com a vitória sobre a Esportiva de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba. A partida marcou a despedida do treinador Alfredinho, que deixou o XV para dirigir o Guarani.

A conquista da Taça dos Invictos não poderia ter adversário melhor: a Ponte Preta. A equipe de Campinas, dirigida por Cilinho, contava com um dos grandes nomes da história do Futebol do Interior, o "mestre" Dicá. A partida que marcou a conquista aconteceu no dia 24 de setembro de 1967, na estreia de Armando Renganeschi, data em que o XV recebeu a Ponte Preta no Barão de Serra Negra. Após um jogo disputado, o alvinegro venceu a macaca de Campinas pelo placar de 1 x 0, gol marcado por Luiz, e pode comemorar, enfim, a conquista da Taça dos Invictos.

FOTO: O grande ataque do XV de Piracicaba, na partida em que o XV venceu o Taubaté por 5 x 0, formado por Nicanor, Luiz Trombada, Mazinho, Joaquinzinho e Varner.

A série invencível do XV não parou na partida contra a Ponte Preta, mas estendeu-se até o dia 22 de outubro, quando o alvinegro foi derrubado pela equipe do Paulista, pelo placar de 4 x 2. Entre a conquista da taça e a perda da invencibilidade, o XV conseguiu mais três partidas sem derrotas, somando 25 partidas de invencibilidade. Com a incrível série, o XV de Piracicaba recebeu a posse definitiva da Taça dos Invictos, oferecida pelo jornal Gazeta Esportiva.

FOTO: O médico Mello Ayres, ostentando a Taça dos Invictos, ao lado do Presidente Humberto D'Abronzo.

FICHA TÉCNICA:
DATA: 24 de setembr de 1967.
LOCAL: Estádio Barão da Serra Negra, Piracicaba/SP.
GOL: Luiz Trombada.
XV DE PIRACICABA: Claudinei; Nei, Haroldo, Protti e Neves; Hidalgo e Varner; Amauri, Luiz, Picolé e Piau. Técnico: Armando Renganeschi.
PONTE PRETA: Wilson; Nelson, Samuel, Luizinho e Spana; Sérgio e Capeloza; Segindo, Luiz César, Dicá e Adílson. Técnico: Cilinho.

JOGOS DE INVENCIBILIDADE:
JOGO 01 - 21/05/1967 - A.A. Internacional 0 x 3 XV de Piracicaba
JOGO 02 - 25/05/1967 - XV de Piracicaba 2 x 0 Estrada Sorocabana
JOGO 03 - 28/05/1967 - Jabaquara A.C. 0 x 3 XV de Piracicaba
JOGO 04 - 04/06/1967 - XV de Piracicaba 7 x 0 Saad E.C. (São Bernardo do Campo)
JOGO 05 - 11/06/1967 - São Carlos 0 x 2 XV de Piracicaba
JOGO 06 - 18/06/1967 - XV de Piracicaba 5 x 0 A. Esportiva (Guaratinguetá)
JOGO 07 - 25/06/1967 - Ponte Preta 0 x 0 XV de Piracicaba
JOGO 08 - 29/06/1967 - XV de Piracicaba 5 x 0 A.E. São José
JOGO 09 - 02/07/1967 - XV de Jaú 1 x 2 XV de Piracicaba
JOGO 10 - 09/07/1967 - XV de Piracicaba 1 x 0 Ferroviária (Botucatu)
JOGO 11 - 16/07/1967 - XV de Piracicaba 1 x 1 Paulista F.C.
JOGO 12 - 23/07/1967 - Palmeiras (S.J. Boa Vista) 2 x 4 XV de Piracicaba
JOGO 13 - 29/07/1967 - XV de Piracicaba 5 x 0 Taubaté E.C.
JOGO 14 - 06/08/1967 - Bragantino 1 x 1 XV de Piracicaba
JOGO 15 - 13/08/1967 - Nacional A.C. 1 x 1 XV de Piracicaba
JOGO 16 - 21/08/1967 - XV de Piracicaba 3 x 1 A.A. Internacional
JOGO 17 - 26/08/1967 - Estrada Sorocabana 0 x 1 XV de Piracicaba
JOGO 18 - 03/09/1967 - XV de Piracicaba 1 x 0 Jabaquara A.C.
JOGO 19 - 07/09/1967 - Saad E.C. 1 x 3 XV de Piracicaba
JOGO 20 - 10/09/1967 - XV de Piracicaba 2 x 0 São Carlos
JOGO 21 - 17/09/1967 - A. Esportiva (Guaratinguetá) 0 x 1 XV de Piracicaba
JOGO 22 - 24/09/1967 - XV de Piracicaba 1 x 0 Ponte Preta
JOGO 23 - 01/10/1967 - E.C. São José 0 x 0 XV de Piracicaba
JOGO 24 - 08/10/1967 - XV de Piracicaba 3 x 0 XV de Jaú
JOGO 25 - 15/10/1967 - Ferroviária (Botucatu) 1 x 1 XV de Piracicaba

FOTOS E INFORMAÇÕES: "A História do XV - Parte II", Delphim F. Rocha Netto.

BLOG HISTÓRIAS DO XV

sábado, 22 de março de 2014

Jogos para a História: A batalha de Palma Travassos



O ano de 2014 coloca, mais uma vez, frente a frente, duas equipes velhas conhecidas do interior paulista. No entanto, apenas nos últimos quatro anos é que o jogo entre XV de Piracicaba e Comercial de Ribeirão Preto passou a ser encarado de uma maneira diferente, como um verdadeiro clássico do interior. A acirrada rivalidade entre as equipes e suas torcidas chegou ao nível máximo no dia 08 de maio de 2010, na partida que ficou conhecida como "A Batalha de Palma Travassos".

Após o acesso do XV de Piracicaba no ano de 2010, com o duelo final entre as equipes, a rivalidade foi rescendida no ano de 2012, quando o XV de Piracicaba foi o responsável por decretar a queda da equipe de Ribeirão Preto para a Série A2 do Campeonato Paulista, após vencer a partida por 2 x 1.

A SÉRIE A3 DE 2010

O ano de 2010 ficará para sempre marcado na memória do torcedor do XV de Piracicaba. Após permanecer alguns anos sofrendo com as dificuldades impostas pela Terceira Divisão do Futebol Paulista, o alvinegro piracicabano conseguiu ressurgir no cenário esportivo estadual com a boa campanha na Série A3, coroada com o acesso para a Série A2 do ano seguinte.

Após um início de temporada pífio, sob o comando do treinador Nei Silva, o XV de Piracicaba contou com a força do "novato" Moisés Egert para reagir no Campeonato e colocar o Nhô-Quim entre as 8 melhores equipes da primeira fase, conseguindo a classificação para disputa do acesso.

Disputando a fase final da competição no Grupo 3, ao lado de Comercial, Ferroviária e XV de Jaú, o XV de Piracicaba chegou à última rodada com 8 pontos, dependendo apenas de suas forças para conquistar o tão sonhado acesso. Para tanto, bastava ao alvinegro segurar um empate contra o Comercial, que jogaria em seu território, no Estádio Palma Travassos.

A BATALHA

O termo "Batalha", pelo qual ficou conhecida a partida decisiva, não deve ser considerado como exagero dos apaixonados de plantão. Além da importância que a disputa teria dentro de campo, o clima hostil encontrado por torcedores, jogadores, dirigentes e jornalistas da cidade de Piracicaba fez com que o jogo ganhasse contornos de uma verdadeira guerra.

Logo na chegada dos jornalistas da Piracicaba, que cobririam a partida, o veículo da Rádio Onda Livre AM foi covardemente atacado por torcedores do "Bafo". A violência também foi utilizada pela torcida da equipe de Ribeirão Preto contra os Dirigentes do XV de Piracicaba. Membros da Diretoria Executiva do alvinegro, dentre eles o Presidente Luís Beltrame, foram violentamente impedidos de se dirigirem até o camarote reservado no Estádio.


Deixando de lado os fatores extracampo, a partida foi marcada pela disputa por cada espaço no gramado. A única grande chance da primeira etapa foi do Comercial, em falta cobrada por Cenedesi, aos 29 minutos, que passou raspando a trave de Fernando Hilário. Já o segundo tempo, o Comercial passou a pressionar mais o XV, mas não conseguia levar perigo ao gol defendido por Fernando Hilário. A melhor chance do Bafo saiu com o meia Rafinha, que testou firme para grande defesa do goleiro alvinegro. O XV também teve suas chances, mas a principal delas saiu dos pés de Marlon, que não acertou o alvo.

No entanto, quando o relógio já marcava 44 minutos da segunda etapa, o lance que marcou a partida e o duelo entre os equipes aconteceu. Após cruzamento na área do alvinegro e grande confusão na área, o jogador do Comercial empurrou a bola para as redes, mas a partida já estava paralisada pela marcação de um impedimento, anotado pelo auxiliar Luis Alexandre Nilsen.

Imediatamente após a anotação da irregularidade, o descontrole tomou os jogadores do Comercial, que partiram para a agressão contra a equipe de arbitragem. A atitude dos jogadores do Bafo, contagiou a torcida, que tentou de todas as formas invadir o gramado para invadir o gramado de jogo. A confusão durou cerca de 10 minutos, até que os ânimos dos atletas fossem parcialmente acalmados para o reinício da partida.

FOTO: Imagens da confusão causada pelos jogadores do Comercial após a anulação do gol.

O recomeço da partida teve apenas mais alguns minutos, os quais pareciam uma eternidade para a torcida alvinegra de Piracicaba. No entanto, após os minutos finais de agonia, o árbitro Rodrigo Guarizo encerrou a partida, determinando o acesso do XV de Piracicaba para a Série A2 do Campeonato Paulista. O apito final foi o início da festa da torcida do XV, que permaneceu no Estádio comemorando o acesso, apesar das tentativas de agressão por parte dos torcedores do Bafo.

Ainda após o término da partida, os atos de selvageria por parte da torcida do Comercial não pararam. Quando os árbitros se dirigiam até os vestiários, foram covardemente agredidos por um torcedor e por um Diretor da equipe do Comercial. Na sequência, torcedores do Comercial arrombaram a porta do vestiário da arbitragem e subtraíram pertences do trio de arbitragem e jogaram fogos de artifício no local.

FOTO: Imagem veículada no Jornal de Piracicaba após o acesso na "Batalha" em Ribeirão Preto.

FICHA DO JOGO:
DATA: 08 de maio de 2010.
LOCAL: Estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto/SP.
ÁRBITRO: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral.
PÚBLICO: 1.557 pagantes. RENDA: R$ 15.020,00.

COMERCIAL - Gustavo; Rogerinho (Laerte), Alemão, Edson Batatais e Laerte (Jeferson); Cenedesi, Jordã, Belé e Carlos Eduardo; Rafinha e João Paulo Garcia. Técnico: André Oliveira.

XV DE PIRACICABA - Fernando Hilário; Fellipe Nunes, Marcus Vinícius, João Paulo e Ceará; Diego Silva (Carlão), Jordy Guerreiro, Marlon (Robinho) e Givanildo; Paulinho e Wesley (Lucas Biselli). Técnico: Moisés Egert.

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