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sábado, 22 de março de 2014

Jogos para a História: A batalha de Palma Travassos



O ano de 2014 coloca, mais uma vez, frente a frente, duas equipes velhas conhecidas do interior paulista. No entanto, apenas nos últimos quatro anos é que o jogo entre XV de Piracicaba e Comercial de Ribeirão Preto passou a ser encarado de uma maneira diferente, como um verdadeiro clássico do interior. A acirrada rivalidade entre as equipes e suas torcidas chegou ao nível máximo no dia 08 de maio de 2010, na partida que ficou conhecida como "A Batalha de Palma Travassos".

Após o acesso do XV de Piracicaba no ano de 2010, com o duelo final entre as equipes, a rivalidade foi rescendida no ano de 2012, quando o XV de Piracicaba foi o responsável por decretar a queda da equipe de Ribeirão Preto para a Série A2 do Campeonato Paulista, após vencer a partida por 2 x 1.

A SÉRIE A3 DE 2010

O ano de 2010 ficará para sempre marcado na memória do torcedor do XV de Piracicaba. Após permanecer alguns anos sofrendo com as dificuldades impostas pela Terceira Divisão do Futebol Paulista, o alvinegro piracicabano conseguiu ressurgir no cenário esportivo estadual com a boa campanha na Série A3, coroada com o acesso para a Série A2 do ano seguinte.

Após um início de temporada pífio, sob o comando do treinador Nei Silva, o XV de Piracicaba contou com a força do "novato" Moisés Egert para reagir no Campeonato e colocar o Nhô-Quim entre as 8 melhores equipes da primeira fase, conseguindo a classificação para disputa do acesso.

Disputando a fase final da competição no Grupo 3, ao lado de Comercial, Ferroviária e XV de Jaú, o XV de Piracicaba chegou à última rodada com 8 pontos, dependendo apenas de suas forças para conquistar o tão sonhado acesso. Para tanto, bastava ao alvinegro segurar um empate contra o Comercial, que jogaria em seu território, no Estádio Palma Travassos.

A BATALHA

O termo "Batalha", pelo qual ficou conhecida a partida decisiva, não deve ser considerado como exagero dos apaixonados de plantão. Além da importância que a disputa teria dentro de campo, o clima hostil encontrado por torcedores, jogadores, dirigentes e jornalistas da cidade de Piracicaba fez com que o jogo ganhasse contornos de uma verdadeira guerra.

Logo na chegada dos jornalistas da Piracicaba, que cobririam a partida, o veículo da Rádio Onda Livre AM foi covardemente atacado por torcedores do "Bafo". A violência também foi utilizada pela torcida da equipe de Ribeirão Preto contra os Dirigentes do XV de Piracicaba. Membros da Diretoria Executiva do alvinegro, dentre eles o Presidente Luís Beltrame, foram violentamente impedidos de se dirigirem até o camarote reservado no Estádio.


Deixando de lado os fatores extracampo, a partida foi marcada pela disputa por cada espaço no gramado. A única grande chance da primeira etapa foi do Comercial, em falta cobrada por Cenedesi, aos 29 minutos, que passou raspando a trave de Fernando Hilário. Já o segundo tempo, o Comercial passou a pressionar mais o XV, mas não conseguia levar perigo ao gol defendido por Fernando Hilário. A melhor chance do Bafo saiu com o meia Rafinha, que testou firme para grande defesa do goleiro alvinegro. O XV também teve suas chances, mas a principal delas saiu dos pés de Marlon, que não acertou o alvo.

No entanto, quando o relógio já marcava 44 minutos da segunda etapa, o lance que marcou a partida e o duelo entre os equipes aconteceu. Após cruzamento na área do alvinegro e grande confusão na área, o jogador do Comercial empurrou a bola para as redes, mas a partida já estava paralisada pela marcação de um impedimento, anotado pelo auxiliar Luis Alexandre Nilsen.

Imediatamente após a anotação da irregularidade, o descontrole tomou os jogadores do Comercial, que partiram para a agressão contra a equipe de arbitragem. A atitude dos jogadores do Bafo, contagiou a torcida, que tentou de todas as formas invadir o gramado para invadir o gramado de jogo. A confusão durou cerca de 10 minutos, até que os ânimos dos atletas fossem parcialmente acalmados para o reinício da partida.

FOTO: Imagens da confusão causada pelos jogadores do Comercial após a anulação do gol.

O recomeço da partida teve apenas mais alguns minutos, os quais pareciam uma eternidade para a torcida alvinegra de Piracicaba. No entanto, após os minutos finais de agonia, o árbitro Rodrigo Guarizo encerrou a partida, determinando o acesso do XV de Piracicaba para a Série A2 do Campeonato Paulista. O apito final foi o início da festa da torcida do XV, que permaneceu no Estádio comemorando o acesso, apesar das tentativas de agressão por parte dos torcedores do Bafo.

Ainda após o término da partida, os atos de selvageria por parte da torcida do Comercial não pararam. Quando os árbitros se dirigiam até os vestiários, foram covardemente agredidos por um torcedor e por um Diretor da equipe do Comercial. Na sequência, torcedores do Comercial arrombaram a porta do vestiário da arbitragem e subtraíram pertences do trio de arbitragem e jogaram fogos de artifício no local.

FOTO: Imagem veículada no Jornal de Piracicaba após o acesso na "Batalha" em Ribeirão Preto.

FICHA DO JOGO:
DATA: 08 de maio de 2010.
LOCAL: Estádio Palma Travassos, em Ribeirão Preto/SP.
ÁRBITRO: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral.
PÚBLICO: 1.557 pagantes. RENDA: R$ 15.020,00.

COMERCIAL - Gustavo; Rogerinho (Laerte), Alemão, Edson Batatais e Laerte (Jeferson); Cenedesi, Jordã, Belé e Carlos Eduardo; Rafinha e João Paulo Garcia. Técnico: André Oliveira.

XV DE PIRACICABA - Fernando Hilário; Fellipe Nunes, Marcus Vinícius, João Paulo e Ceará; Diego Silva (Carlão), Jordy Guerreiro, Marlon (Robinho) e Givanildo; Paulinho e Wesley (Lucas Biselli). Técnico: Moisés Egert.

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